Exposição SINMED 75 anos

"O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro está  completando 75 anos de fundação (1927/2002). Ele foi a primeira associação de uma categoria  profissional, de nível superior, a se organizar no Brasil.  Ao longo  destes 75 anos,  o SINMED/RJ  reformulou seus objetivos, mas sempre  esteve presente  nos momentos importantes da história política e social do país. As decisões tomadas, em nossas reuniões e assembléias interfiriram na história da profissão médica. ...

Esta exposição comemorativa - promovida pela primeira Diretoria do SINMED/RJ do terceiro milênio - visa retratar alguns  momentos de nossa história. ...

Você, colega,  faz parte desta história. Você é nosso homenageado."

Jorge Darze
Presidente do SINMED/RJ
Dezembro.2002

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SINMED 75 anos (1927 / 2002): momentos de nossa história.
Este ano o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro comemora 75 anos de vida (1927/2002). Durante estes anos, nossas reuniões e assembléias serviram de palco para importantes decisões políticas. Elas  interferiram diretamente nos rumos da história da profissão médica. Esta exposição é uma homenagem a você que, apesar de todas as dificuldades materiais, presta um serviço de assistência  médica, com competência e dedicação à população desta cidade. Venha ao SinMed! Filie-se ao SinMed! Uma instituição que tem história para contar. Uma instituição capaz de mudar o curso da história! Depende de você! Depende de todos nós!
Jorge Darze - Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro - Dezembro de 2002

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Os primeiros tempos (1927 / 1967): um sindicato de médicos liberais
O sindicato do médicos, em seus primeiros quarenta anos de vida, foi dirigido por homens eruditos e abastados. Alguns deles integravam, ao mesmo tempo, a Academia Nacional de Medicina. O sindicato promovia festas  e reuniões sociais e científicas onde a elite econômica da, então, capital da República, se encontrava. Em termos profissionais, o sindicato defendia o padrão liberal de relação do médico com o mercado de trabalho, predominante naquela época. O sindicato deveria servir para  preservar  liberdade do médico em determinar o valor e a duração de sua consulta, sem qualquer interferência externa. Por esta razão, os sindicalistas condenavam o assalariamento decorrente da crescente presença do Estado na saúde. Os Códigos de Ética Médica de 1931 e 1945, promulgados em eventos promovidos pelo sindicato, são a expressão da defesa destes interesses profissionais.

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1953 / 1954: Marcos na História
Nos anos 1950, era expressivo o número de médicos assalariados, funcionários públicos. Este foi um dos legados da Era Vargas. Boa parte destes profissionais atuava na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República. Desde aquela época, havia uma disparidade salarial entre os médicos funcionários municipais e os federais. Para acabar com esta disparidade foi elaborado, em dezembro de 1950, o Projeto de Lei 1.082. Com ele, o médico funcionário federal, atingiria o mais alto nível no plano e cargos e salários: a Letra O . Além disso, ele receberia um abono de 25% a cada 5 anos de trabalho. O sindicato do médicos, dominado pelas mesmas elites que o fundaram, foi contra este movimento grevista. Para coordena-lo, foi criada a Associação Médica do Distrito Federal (AMDF). Entre 1951 e 1954, a AMDF negociou a aprovação deste projeto no Congresso Nacional. Em novembro de 1954 ele foi vetado pelo Presidente da República. Diante deste fato, a categoria resolveu suspender suas atividades. A primeira Greve Médica da História do Brasil, aconteceu entre os dias 3 e 6 de dezembro de 1954: A Greve da Letra O.

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1968: A resistência
1968 foi um ano singular na História. No mundo, ocorreram manifestações políticas e libertárias. No Brasil, não foi diferente. Em um período de exceção, as manifestações defendendo a liberdade de expressão foram grandiosas. O movimento sindical médico acompanhou esta tendência. Naquele ano, foi organizado o Movimento Médico Independente Renovador (MMIR). Ele visava conquistar a direção do Sindicato Médico, que estava aliada ao Regime Militar.  Para tanto, o MMIR mobilizou os médicos em cada hospital. Os integrantes da chapa foram  escolhidos nas assembléias realizadas em cada unidade. Construiu-se, assim, um grupo representativo. Mesmo assim, ela venceu com a diferença de, apenas, 25 votos. Com o Presidente Miguel Olímpio Cavalcanti, o sindicato passou a defender, pela primeira vez, os interesses dos médicos assalariados, sobretudo os funcionários públicos. Além disso, o sindicato oferecia uma série de serviços assistenciais para seus associados. Em 1971, Miguel Olímpio teve seus direitos políticos cassados.

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1981: Uma greve viva na memória
O final da década de 1970 foi caracterizado pelo incremento do movimento de redemocratização da sociedade brasileira. A campanha pela Anistia começava a tomar as ruas. O movimento sindical médico acompanhou esta tendência.  Naquela época organizou-se o Movimento de Renovação Médica (REME), que contou com a participação dos médicos residentes.  Em 1978, o REME conseguiu eleger seus primeiros representantes, tirando a direção da entidade das mãos dos médicos aliados ao Regime Militar. Primeiro, foi  eleito Rodolpho Rocco, sucedido por João Carlos Serra. Em dezembro de 1980, foi a vez de Roberto  Chabo. Em março de 1981, começou a ser realizada a maior e mais importante greve médica da história do Brasil. Sua motivação foram as  precárias condições de trabalho, os baixos salários, a saúde do médico e o perigo que representava o crescimento dos planos de saúde. Uma greve que contou com amplo apoio da categoria e da sociedade. Uma greve que ainda está viva na memória!

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1990/2002: Novos rumos
A partir dos anos 90, os serviços de assistência  médica tornaram-se ainda mais precários. Os sinais desta situação  podem ser vistos na proliferação das escolas médicas, na baixa qualidade de ensino e da formação profissional e no salário insignificante. No poder público e privado tem sido oferecida uma assistência insuficiente à população, sob relações e condições de trabalho que ameaçam a preservação do exercício ético da medicina. A exploração do trabalho médico pelas seguradoras de saúde, empresas de medicina de grupo e governos têm exigido uma resposta do sindicato. Liderados pelo sindicato, os médicos realizaram greves e atos públicos para cobrar a melhoria da remuneração e das condições de trabalho no setor  público e a revisão das tabelas da medicina privada. Resistindo às políticas que se fundamentam no desmantelamento do Estado e na adoção do mercado regulador das relações sociais, o SinMed atravessou os anos 90 e chega ao novo século disposto a enfrentar novos desafios.

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