SINMED/RJ lança Campanha em Defesa do Exercício Ético da Medicina
Em 17 de agosto de 2006, o SINMED/RJ lançou sua Campanha em Defesa do Exercício Ético da Medicina, com o objetivo de resgatar a dignidade e o respeito dos médicos. A solenidade foi realizada na Câmara dos Vereadores do Município do Rio de Janeiro e teve a participação do vereador Carlos Eduardo (PPS), médico e presidente da Comissão de Saúde daquela Casa Legislativa. Fizeram parte da mesa o Dr. Jorge Darze, Presidente do SINMED/RJ, o Dr. Paulo Pinheiro, Deputado Estadual (PPS/RJ) e Presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa do Estado do RJ, o Dr. Alfredo Boa Sorte, Presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia e Diretor Tesoureiro da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), a Dra. Marlene Santiago, Diretora do SinMed e representante do Departamento dos Médicos Aposentados, a Sra. Silene Souza, Presidente do Sindsprev/RJ e o Dr. Gustavo Pereira Mota, Diretor da Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (AMERERJ). Estiveram também presentes os diretores do SINMED/RJ, Dr. Eraldo Bulhões e José Antônio Romano.
O vereador Carlos Eduardo iniciou o encontro criticando o loteamento dos hospitais do Rio de Janeiro, que chamou de capitanias hereditárias, onde os diretores são indicados por políticos. Disse que os médicos sem concurso são bóias-frias da saúde, muitas vezes obrigados a levar material para os hospitais a fim de garantir o mínimo de condições aos seus pacientes. “O lançamento dessa campanha tinha de ser na Casa de Leis. Espero que a Câmara dos Vereadores e a Alerj tentem minorar os estresses psicológicos e físicos que a categoria vem sofrendo, muitos até adoecendo. Não podemos mais esperar que as autoridades façam alguma coisa. Cada médico que está aqui hoje ama o que faz e se aposenta com um salário aviltante. A ética é dar aos nossos médicos condições de trabalho e salário. É uma vergonha que não tenham um plano de cargos”.
O Dr. Alfredo Boa Sorte, Presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia e Diretor FENAM salientou a importância da valorização dos médicos pelos próprios médicos. “A questão da saúde deve ser considerada política de estado. Não só na Bahia, mas nacionalmente vamos à luta para vencer”. Ele se ausentou do evento antes de seu término para tomar posse na nova Diretoria da FENAM .
O Dr. Jorge Darze agradeceu ao presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores pela oportunidade de realizar a solenidade. “Chegamos a um patamar de risco insustentável para o exercício da profissão, por isso, foi lançada essa campanha”. Ele afirmou que o movimento deverá ser nacional, envolvendo os demais profissionais de saúde e principalmente os pacientes. “A campanha precisa romper os limites do Rio de Janeiro”.
Ele lembrou que os médicos vivem um grave paradoxo. De um lado estão os preceitos garantidos no Código de Ética e de outro o antagonismo que é a realidade oferecida aos profissionais. Doentes, eles perdem a vida precocemente devido ao exercício da profissão e à reação aos maus resultados que estão relacionados às péssimas condições de trabalho. Quando se aposentam passam a sofrer todas as conseqüências. “Não podemos sucumbir diante dessa situação. Precisamos converter a campanha em um movimento nacional e voltar às ruas para denunciar esse processo genocida. Esse movimento será vitorioso. Envolverá os demais Sindicatos Médicos do país e o Legislativo será nosso aliado nessa luta. O Rio, que já foi palco de inúmeras lutas importantes, também será a sede dessa causa”.
O Deputado Paulo Pinheiro saudou a iniciativa do SINMED/RJ. Ele dimensionou as causas do cerceamento do trabalho médico no Rio, criticando as muitas mazelas da rede pública de saúde do estado e do município, entre elas a falta de ética por parte dos Poderes Executivos, que demitem diretores de hospitais que reclamam das péssimas condições de trabalho e salários; as indicações políticas, a inexistência de um plano de cargos, carreiras e salários; a não convocação dos concursados e a ausência de supervisores para acompanhar os médicos residentes nos plantões de final de semana. “Precisamos lutar pela ética cobrando a ética que as autoridades não têm, pois não dão a mínima condição de trabalho aos médicos”. Ele colocou a Comissão de Saúde da Alerj à disposição do movimento.
A diretora do Sindsprev, Sra. Silene Souza destacou que a ética tem que estar em todos os setores. “O Brasil precisa resgatar a ética em todas as suas instituições. Muitos estão utilizando a verba da saúde e da assistência para outros fins. Fizemos denúncia ao Ministério Público, mas no final do processo os culpados não foram punidos. O Legislativo protege os parlamentares. Isso desestimula o nosso trabalho. O lançamento dessa campanha nos dá uma injeção de vigor. Hoje, somos tratados com total descaso. Os profissionais mais antigos são os que ainda continuam na luta, mas estando dando início a mais uma etapa de luta, e os jovens podem nos trazer o vigor necessário”.
Gustavo Pereira Mota, Diretor da AMERERJ disse que a classe médica está caminhando para a união de todas as gerações em torno da Campanha em Defesa do Exercício Ético da Medicina. “A energia dos aposentados é clara na presença da platéia”. Ele lamentou que as retaliações políticas, muitas vezes, venham de colegas que tentam inibir a atuação dos companheiros. “As leis não são cumpridas porque são muito simples. A punição deve ser aplicada corretamente para os profissionais”. O diretor da Associação espera que a campanha tenha divulgação e que tome uma proporção maior.
A Dra. Marlene Santiago, Diretora do SINMED/RJ afirmou que os médicos são vítimas do sistema desde a globalização e que sofrem com a proposta do terrorismo econômico do privatizado sobre o social. “Dentro da nossa ação na saúde pública somos agredidos por campanhas de descrédito. O médico é o único responsável pelo que faz. Temos que reagir a esse processo, inclusive apoiando campanhas como essa e cobrando para que a ética seja sempre observada. Vamos reagir com firmeza ao discurso útil. Sejamos os que resistem ao discurso impregnado com o que interessa ao fator econômico”.
O encontro contou com a apresentação do músico Ruy de Ipanema e da cantora Cida Nascimento que interpretaram a música: A saúde é do povo, eu não vou me calar. A canção, de autoria dos compositores Zé do Bié, o Poeta do Rio e de Ruy de Ipanema, originou-se do poema inspirado no Movimento pela Revitalização dos Serviços de Saúde do Centro da Cidade, que reúne um grande número de entidades da sociedade civil todas as quintas feiras, na sede do SINMED/RJ. Um de seus trechos traduz com exatidão o sentimento dos médicos diante da crise que enfrentam hoje: “morremos aos poucos a cada vida que morre em nossas mãos”.
Em seguida foi cedida a palavra aos profissionais de saúde presentes na platéia.
Dr. Paulo de Carvalho, professor de neurocirurgia da UniRio: “Os planos de saúde estão crescendo no espaço que é deixado pelo poder público. Temos que resgatar o nosso Código de Ética. Fazê-lo realmente valer”. Ele denunciou que os planos de saúde não autorizam os procedimentos médicos e colocam os pacientes contra os médicos.

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