Secretário de Saúde do Estado, Dr.
Sérgio Cortes, visita SINMED/RJ e anuncia medidas já tomadas para sanar a crise na
saúde
Atendendo a convite do SINMED/RJ, o Secretário Estadual de Saúde, Dr. Sérgio
Cortes, esteve na sede do SINMED/RJ na última 2ª feira, dia 05/fev/2007, onde
participou de reunião com a diretoria para discutir a situação do trabalho
médico em nosso estado. Estando há pouco mais de um mês à frente do órgão, o
Secretário inicialmente ouviu as considerações do Dr. Jorge Darze, Presidente do
SINMED/RJ, que enalteceu sua aproximação com o Sindicato visando o enfrentamento
das mazelas da saúde pública e destacou as péssimas condições que os
profissionais enfrentam para exercer a Medicina. Darze, que pediu ao Secretário
a confirmação de uma agenda permanente com o Sindicato, denunciou o aumento de
aproximadamente 50% no número de processos contra médicos, a maioria do setor
público, em decorrência da falta de condições de trabalho, os baixos salários e
a necessidade de concurso público para o setor.
Sérgio Cortes recebeu das mãos do Presidente do SINMED/RJ a carta-compromisso
assinada pelos candidatos a governador antes do segundo turno das eleições,
salientando que os médicos do Rio de Janeiro estão confiantes de que o
Governador Sérgio Cabral cumprirá todos os itens contando, para isso com o
empenho do Secretário.
Sérgio Cortes adiantou que haverá momentos de discordâncias entre os médicos e o
Governo, mas garantiu que voltará sempre ao sindicato. Quanto aos
compromissos
assumidos por Sérgio Cabral, o Secretário informou que, fará o
possível para atender as expectativas. No que se refere ao primeiro item da
carta-compromisso que é “cumprir o papel de organizar e mediar junto às demais
secretarias municipais de saúde, um plano de recuperação do sistema público de
saúde”, Cortes informou que já realizou a primeira reunião com a maioria dos
secretários no último dia 02/fev. No que se refere à “prestação de contas da
gestão a cada trimestre” alertou que não sabe se o fará em curto prazo devido à
falta de informações. Sobre os itens que prevêem a implantação do PCCS em 2007 e
a realização de concurso público, o Secretário explicou que o governo está
montando um grupo técnico para discutir o assunto, incluindo a “paridade entre
ativos e inativos”, além de adiantar que haverá concurso, embora possa vir a ser
adotada a contratação pelo regime celetista e não mais pelo regime jurídico
único. Ele adiantou que é contra as fundações privadas e sua intenção é acabar
com todas elas. Há, de acordo com o Secretário, um processo de seleção na FESP
para substituir as fundações e cooperativas pela contratação de seis mil
profissionais de saúde através da seleção de currículos para contrato temporário
com o Estado, o que irá gerar uma economia de R$5,9 milhões por mês. A medida
será tomada até que se discuta a proposta de fundação estatal.
Sobre a “educação médica continuada” ele destacou que ela deve estar no 1º
tempo, informando ainda que já foi montada uma equipe para viabilizar a área de
capacitação e aprimoramento técnico. Quanto à “qualidade da Residência Médica”
ele destacou que é preciso valorizar as qualidades desta área. Sobre “garantir
da qualidade do atendimento aos pacientes” ele afirmou que não há dúvida de que
o assunto será priorizado. Quanto à garantia de “recuperar a rede estadual de
saúde”, principalmente do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, o
Secretário esclareceu que a sua manutenção está garantida, embora não saiba se a
unidade permanecerá no mesmo local porque a obra que já havia sido iniciada não
se enquadrada nos padrões técnicos exigidos. Falando sobre o “soerguimento do
Iaserj” ele foi taxativo: “o Iaserj só vai existir para a Secretaria de Saúde se
for 100% SUS”, ou seja, com a garantia de que haverá universalidade no
atendimento. Ele esclareceu ainda que a Secretaria está agora definindo o perfil
das unidades de saúde.
Participaram da reunião, além do presidente do SINMED/RJ, seu Vice-Presidentes, Dr.
Virmar Ribeitro Soares, os diretores Eraldo Bulhões, José Romano, José Teixeira,
Walter Labanca, Hugo Sabino, Júlio Noronha, Lauro Diniz, Sara Padron Dávila,
Rosa Domeni e Emílio Mira y Lopes.
O Dr. Bulhões denunciou a política anti-SUS utilizada pela Prefeitura e
aproveitou para cobrar do Estado medidas urgentes contra a dengue, que em 2002
foi responsável por 100 mortes. Ele entregou ao Secretário um relatório sobre o
assunto contendo sugestões para evitar uma epidemia em nosso estado, como a
criação de centrais de prevenção hemorrágica por bairro. Ele defendeu ainda o
aumento de vagas na clínica médica.
Falando sobre o Iaserj, o Dr. Teixeira explicou que o Instituto atende a uma
população de 600 mil servidores, além de cerca de 1 milhão e 800 mil familiares.
O Dr. Lauro elogiou a franqueza do Secretário por não prometer aquilo que não
poderá cumprir. Ele ressaltou que os médicos não abrirão mão da estabilidade do
servidor público, bem como da qualidade do serviço prestado e da formação.
A Dra. Sara alertou que o fim da estabilidade criará brechas para a elevação da
precarização de trabalho.
O Dr. Júlio Noronha lamentou o aprofundamento da crise da saúde pública no Rio
de Janeiro, reconhecendo que hoje o setor está com as portas abetas para tudo o
que é ruim.
O Dr. Romano destacou sua preocupação com o futuro, diante do fato de que os
médicos da sua geração saíram do serviço público e não têm intenção de voltar
mesmo com a criação da fundação estatal. Diante do quadro em que não há
renovação nas nomeações de diretores das unidades e em que os profissionais são
obrigados a fazer até 10 “bicos” ele alertou que é preciso audácia do Poder
Executivo para mudar. “A crise vai aumentar e os movimentos sociais sofrerão os
prejuízos”.
O Dr. Emílio lamentou a falta de respeito do governo com os médicos. Ele
presenteou o Secretário com o livro “Almir Dutton Ferreira – A vida é o grande
momento de todos nós”, de sua autoria.
O Dr. Labanca salientou que ficou bastante satisfeito com as colocações do
Secretário, mas lembrou, referindo-se às mudanças nos cargos de direção das
unidades que, “nada que for truculento resolverá”, repetindo trecho de um artigo
do jornalista Arnaldo Jabour, recentemente publicado.
O Dr. Teixeira informou ao Secretário que para respeitar o direito dos 15
milhões de habitantes de nosso estado a três consultas por ano, conforme
determina legislação federal, o Poder Público deveria oferecer 45 milhões de
consultas. Para isso precisaria de 8.400 médicos. Ele informou que em recente
levantamento feito por ele em conjunto com o Conselho Estadual de Saúde
identificou uma carência assustadora, a exemplo de operadores de caldeiras
surdos por causa do barulho excessivo. “O estado não trabalha com a saúde do
trabalhador, não investe em modernização de equipamentos”, denunciou.
O Dr. Hugo ressaltou a importância da participação dos usuários e dos
funcionários das unidades no processo de escolha dos diretores, evitando assim
prejudicar a imagem do gestor na saúde.




Reunido com os diretores do SINMED/RJ na sede da entidade, o Secretário Estadual de Saúde, Dr. Sérgio Cortes, falou sobre as medidas iniciais já tomadas por sua pasta e assumiu o compromisso de manter uma agenda permanente com o Sindicato. Ele recebeu das mãos do Dr. Eraldo Bulhões, diretor do SINMED/RJ, relatório sobre o risco da dengue, contendo importantes propostas para evitar uma epidemia em nosso Estado.