No Dia do Médico, Alerj e Câmara dos Vereadores do Rio homenageiam Roberto Chabo com Medalha Tiradentes e Pedro Ernesto pos-mortem

Solenidade marca também os 80 anos de fundação do SinMed/RJ e a posse de sua nova diretoria

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Em sessão solene realizada no último dia 18 de outubro, Dia do Médico, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o Deputado Alessandro Molon (PT) homenageou o médico Roberto Chabo, que morreu em agosto passado, com a concessão da Medalha Tiradentes (pos-mortem), entregue à sua filha, a advogada Isabel Chabo. O vereador Dr. Carlos Eduardo (PSB), Presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores do Município do RJ, estendeu a homenagem, concedendo a Chabo a Medalha Pedro Ernesto. Os parlamentares tomaram a iniciativa de prestar a homenagem ao grande mestre dos médicos brasileiros Roberto Chabo atendendo a sugestão da direção do SinMed/RJ. A solenidade marcou também os 80 anos de fundação do Sindicato dos Médicos do RJ e a posse da nova diretoria da entidade.

Presidida pelo Deputado Molon, a mesa da cerimônia foi composta pelo Deputado estadual Wilson Cabral (líder do PSB), o Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado e Presidente regional do PSB Alexandre Cardoso (que representou o Governador Sérgio Cabral), o Deputado Federal Chico d’Angelo (PT/RJ), a Subsecretaria Estadual de Saúde Monique Fazzi e o Presidente do SinMed/RJ Jorge Darze, além de Isabel Chabo e o Vereador Carlos Eduardo.

“É indiscutível a competência profissional do doutor Chabo, médico que participou do primeiro transplante de rim da América Latina. Mas aqui estamos saudando ainda um homem que pôs o compromisso social e político acima de tudo. Tiradentes foi um grande herói da liberdade e o Dr. Chabo merece a medalha que leva este nome, pois lutou também pela liberdade do nosso povo, lutou pela sua saúde”, afirmou o Deputado Molon, que também ressaltou a importância do homenageado para a formação e consolidação do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e agradeceu ao presidente do SinMed por ter sugerido a homenagem.

A solenidade foi marcada por depoimentos emocionados sobre passagens da vida de Chabo nas áreas profissional, sindical, política, social e familiar.

Durante o evento, o Vereador Carlos Eduardo leu texto de sua autoria intitulado “O orgulho de ser médico agoniza”, em que retrata o sentimento dos profissionais do setor público de saúde diante “da inércia e insensatez de gestores em todos os níveis de governo”.

O Presidente do SinMed/RJ, Jorge Darze, fez um discurso em homenagem ao Dr. Chabo, através do qual resumiu a importante trajetória do grande médico e líder sindical, e outro discurso em que destacou a história do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, o primeiro sindicato médico brasileiro. Ao final ele deu posse aos novos diretores do SinMed.

Leia os principais trechos das declarações feitas:

“Ele era um lutador incessante. Nasceu e se formou para trabalhar por aqueles que lutam em defesa da saúde da população”, (Paulo Pinheiro, médico e ex-deputado estadual).

“Quando recém-formado, em Campos, eu já sabia que Chabo era um sinônimo de luta pela dignidade profissional do médico. Ele já era um exemplo inspirador. Como um dos fundadores do PSB deixou o legado de sua luta para diminuir as desigualdades sociais”, (Wilson Cabral, médico e Deputado líder do PSB na Alerj).

“O único patrimônio que Chabo deixou para a família foi o amor, o caráter, o exemplo e a seriedade”, (Oscar Berro, Secretário de Saúde do município de Duque de Caxias).

“Em 40 anos de militância política poucas vezes eu vi uma homenagem tão merecida nesta casa legislativa... Preso pelo Cel. Milton Cerqueira durante a ditadura, Chabo, da prisão, se preocupava em orientar os líderes sindicais para que não fossem presos... Ele lutou pela redemocratização, pela anistia, pela Constituinte e pela implantação do Sistema Único de Saúde. Ele foi responsável pelo arcabouço do que entendemos como SUS... A nação brasileira perdeu um grande homem”, (Luiz Roberto Tenório, Secretário de Saúde do município de Niterói e ex-presidente do SinMed/RJ).

“Quando Jamil Haddad assumiu o Ministério da Saúde fez exigência ao Itamar Franco (Presidente da República) de que Chabo teria de ser figura emblemática do ministério... Tinha alguma coisa de paixão, de solidariedade, no Chabo que não era humana. O Chabo engrandece essa honraria (Medalha Tiradentes)”, (Alexandre Cardoso, Secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Presidente regional do PSB no Rio e ex-deputado).

“É uma honra homenagear um dos ícones da saúde pública que dedicou a sua vida a essa causa... Conheço jovens profissionais da medicina que tiveram Roberto Chabo como norte a ser seguido e isso, mais do que tudo, já o credencia a receber a maior homenagem do Poder Legislativo carioca”, (Carlos Eduardo, médico, Vereador pelo PSB, Presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores do Município do RJ).

“Comecei a engatinhar da militância sindical ao lado de Chabo no Sindicato dos Médicos... Aprendi com ele a trabalhar as contradições para atingir o bem comum. Ele respeitava os adversários, fazendo política com ternura. Por muitas gerações a memória do Dr. Roberto Chabo será lembrada”, (Chico D’Angelo, médico e Deputado Federal pelo PT/RJ).

“Pai, por que será que os grandes heróis nos deixam tão cedo?... Achávamos que os heróis não morriam e que era como nos contos de fadas... Talvez esse mundo fosse pequeno para você. Não se preocupe, você deixa sua herança, que é o seu caráter, em suas filhas e netas... Obrigada por ter sido nosso pai e ter nos ensinado a viver com dignidade”, (Isabel e Gabriela, filhas do Dr. Chabo – trecho da carta escrita por elas e lida pelo Deputado Chico D’Angelo).


Discurso do  Presidente do SinMed/RJ, Jorge Darze, em homenagem ao Dr. Chabo

O movimento em defesa da saúde pública no Brasil sofreu uma perda irreparável com a morte de um dos seus baluartes, o médico Roberto Domingos Chabo, aos 71 anos, no Rio de Janeiro. Nascido em Pernambuco e formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas do estado, em 1961, no ano seguinte veio buscar no Rio de Janeiro os ensinamentos e a especialização em Nefrologia, no Hospital dos Servidores do Estado (HSE). Cinco anos antes, essa unidade hospitalar recebia o seu primeiro rim artificial, o que significou um marco importante na medicina praticada em nosso estado, inclusive com repercussão nacional.

Em entrevista concedida aos médicos Alan Castro e Elaine Soares, em novembro de 2006, Chabo relata a odisséia que culminou na realização do primeiro transplante de rim feito no Brasil: “Foi em 1964 e eu estava no Rio de Janeiro. (...) me localizaram em pleno carnaval. Recebi um telefonema de Brasília, do Gabinete Militar, que estava mandando de Petrópolis, o filho de um sargento do Exército (...) chegou grave, urêmico, torporoso. A internação foi em fevereiro e o transplante em abril. (...) recebo a informação de que há um paciente com hidrocefalia prestes a falecer. Já haviam sido realizados alguns transplantes no mundo. O primeiro em 1954 e o nosso, 10 anos depois. (...) reunimos a equipe e decidimos fazer o transplante (...) a operação durou sete horas. O paciente urinou no mesmo dia e veio a falecer 18 dias depois com rejeição aguda. (...) o garoto não tinha chance. Ou fazia o transplante ou morria. Era renal crônico (...) depois é que tivemos a noção exata de que fomos os responsáveis pelo primeiro transplante de rim da América Latina, talvez o oitavo do mundo.”

Ao mesmo tempo em que Roberto Chabo se revelou um médico competente e arrojado, foi coerente com o seu passado de militância estudantil, atuando verdadeiramente com os princípios do exercício ético da medicina. Não tinha limite em sua atuação profissional no atendimento aos pacientes, buscando não só todo o avanço da ciência e da tecnologia, como também o melhor de si para que, através do seu trabalho, pudesse proporcionar o bem estar ao seu paciente. Uma prova deste compromisso foi a passagem em que Chabo foi preso junto com Herbert de Souza, o Betinho, paciente do HSE, quando realizava um atendimento médico.

Em 1968, Miguel Olympio Cavalcante toma posse como presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, representando o Movimento Médico Independente Renovador (MIR), cuja essência era a defesa dos médicos assalariados e da saúde pública. Aquele ano foi marcante no que se refere à luta mundial por maiores liberdades e o movimento contou com a participação ativa de vários médicos, entre eles, Chabo. Lamentavelmente, em seguida, Miguel Olympio é destituído pelo SNI e o sindicato permanece sob intervenção até 1988.
Em 1978, o Movimento Renovação Médica retoma a entidade através do voto e, em 1980, após várias crises, Roberto Chabo lidera nova campanha que o elege presidente do sindicato. Através do SinMed, organiza um importante movimento médico de repercussão nacional, com a realização de greves e assembléias que reuniram mais de dois mil profissionais. Na ocasião, o sindicato sofre intervenção e se instala na Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Em junho de 1981, Chabo é preso pela ditadura, ficando detido por quatro dias. Reeleito presidente do Sindicato dos Médicos ele participa da gestão do Conselho Regional de Medicina do Rio e é eleito duas vezes presidente da Federação Nacional dos Médicos.

Em 1994, Roberto Chabo se aposenta do Ministério da Saúde, mas mesmo assim ocupa diversos cargos de expressão nas administrações públicas dos governos estaduais e federal, terminando seus dias como Ouvidor Geral da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Curiosamente, a sua última função se identifica com o que mais ele soube fazer ao longo de sua vida: ele ouvia atentamente as queixas dos seus pacientes e os reclamos dos colegas e depois, bastante sensibilizado, procurava transformar a realidade através de ações efetivas. O primeiro transplante renal, a sua prisão e a sua capacidade de reunir milhares de médicos, são demonstrações inequívocas da sua obstinação e perspicácia. O nosso mestre tinha a certeza de que através do esforço coletivo podia atingir os objetivos almejados, resultando no melhor para todos.

Também egresso do movimento estudantil, formado alguns anos depois pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio, passei a conviver com Roberto Chabo a partir da existência do Movimento Renovação Médica. Fomos atores de cenas históricas que retrataram o movimento médico nacional. Lembro-me de que, por ocasião da sua prisão, os médicos do Rio passaram a usar um crachá onde se lia Dr. Chabo. Através dele, todos assumiam a identidade do então presidente do SinMed como forma de protesto e ao mesmo tempo de solidariedade ao grande líder. Com postura sempre coerente e madura, Chabo foi um verdadeiro democrata, que organizou a passagem do bastão para as diretorias seguintes dentro do sindicato, sem permitir que ocorressem traumas, respeitando o processo democrático. Nos últimos anos, algumas vezes, no período da tarde, enquanto ele caminhava para a Secretaria de Saúde e eu para o sindicato, nós nos encontrávamos e conversávamos sobre a situação dos médicos do nosso estado e do país. Ele demonstrava ter uma grande preocupação com os médicos e com a saúde pública, mas mantinha-se sempre esperançoso de que era possível mudar a situação. Revelava ter muito orgulho do trabalho que desempenhava no órgão estadual e de produzir bons resultados. Naquele período, nunca procurou falar sobre sua doença nem comigo, nem com outros amigos e nós só ficamos sabendo da sua gravidade algum tempo depois. Chabo nunca se deixou abater pela enfermidade, lutando sempre contra a doença, que nunca o impediu de seguir em frente.

Pai carinhoso e exemplar, ele deixou duas filhas, duas netas e uma companheira.

Hoje, o governo do estado do Rio de Janeiro resolveu prestar uma justa homenagem a esse importante médico brasileiro, dando o seu nome ao futuro Hospital Regional da Mulher, no município de São João de Meriti, que terá 140 leitos e provavelmente será inaugurado em março do próximo ano.

A morte de Roberto Chabo deve ser ressuscitada em nossos corações e mentes para que ilumine os nossos caminhos. Em seu livro Heróis de Curar, o professor Júlio Sanderson, no capítulo dedicado a São Lucas, padroeiro religioso dos médicos, diz: “O médico, quando não cura, consola, apóia, ajuda, divide a dor. Curar é a sua obsessão. O estímulo dessa obsessão é o sofrimento do outro, do seu semelhante. Acompanha o homem desde o seu nascimento, convive com ele e o acompanha na morte como sua sombra ou como seu anjo... O que chega, na realidade, é a solidariedade que o médico representa. É o amor que lhe confere neutralidade, que lhe permite valorizar a vida acima de quaisquer outras considerações...”.
Roberto Chabo é o nosso herói de curar, e assim deve ser lembrado.

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Discurso do  Presidente do SinMed/RJ, Jorge Darze, em que destacou a história do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, o primeiro sindicato médico brasileiro

Lembrar dos 80 anos do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro na Assembléia Legislativa é motivo de grande honra para todos nós, pois esta é a Casa de representação do povo do Rio de Janeiro.

Estamos de luto pela perda irreparável do nosso querido amigo e líder Roberto Chabo, portanto, não se justifica qualquer comemoração, nem pela passagem dos 80 anos do SinMed e muito menos pela posse da nova diretoria que assume hoje. Tenho certeza de que Chabo não nos perdoaria se este momento passasse em branco sem o devido registro histórico. Afinal, ele foi um dos que ajudaram a construir essa história.

Grandes personalidades que contribuíram para o avanço da medicina no Brasil e que hoje dão nome a importantes hospitais brasileiros foram, na verdade, os responsáveis pelo primeiro debate envolvendo a realidade do trabalho médico, no Congresso Nacional de Práticos, realizado em 1922, no Rio de Janeiro, então capital da República. Personalidades como Arnaldo de Morais, Cardoso Fontes, Carlos Chagas, Carlos Seild, Juliano Moreira, Leitão da Cunha, Miguel Couto, Moncorvo Filho e Fernando Magalhães, entre outros, foram as autoridades médicas presentes àquele encontro.

Além da preocupação manifestada com a crescente participação do poder público na área da saúde e o incremento do assalariamento do trabalho médico, a polarização se deu, de um lado com a defesa da concepção do médico generalista e liberal, e do outro, a especialização e a participação da tecnologia no ato médico. Outra corrente defendeu a ampliação da medicina preventiva.

Mais um importante tema discutido na ocasião foi o ensino da medicina, cujo debate enfatizou a legislação criada à época, que estabelecia critérios de avaliação para as escolas existentes, se contrapondo à anterior, que isentava de fiscalização oficial o ensino superior.

Merecem destaque as seguintes palavras do professor Fernando Magalhães: “Dentro em pouco, multiplicadas as faculdades que surgirão como toda a indústria nova largamente explorada, o diploma de médico valerá menos que o rótulo de uma garrafa vazia ou o escrito de uma casa desabitada. Será, entretanto, muito mais perigoso do que qualquer deles, porque o diploma generalizado vai enganar o desprevenido, que não sabe e não pode distinguir a verdade da contrafação, o bom do ordinário, o prestimoso do imprestável.” Vale lembrar que suas palavras, proferidas em 1922, expressavam um forte conteúdo visionário sobre o que viria a ocorrer no Brasil.

Hoje, a pauta daquele Congresso é também nossa, inserida num outro contexto histórico. Aquele ano foi especial não só para os médicos, mas para a história do país, já que nele realizou-se, entre outros importantes acontecimentos de grande repercussão, a Semana de Arte Moderna, que representou uma grande contribuição para a nossa cultura.
Cinco anos depois, como resultado daquele debate, em 25 de novembro de 1927, foi criado o 1º Sindicato Médico Brasileiro.

Merecem destaque os seguintes fatos históricos:

• A construção da atual sede do Sindicato, em 1935.
• A construção da Casa do Médico, em 1933.
• A promulgação dos Códigos de Ética Médica, em 1931 e 1945.
• A luta em defesa da autonomia e remuneração do trabalho médico.
• O movimento em defesa da “Letra O”, nos primeiros anos da década de 50, liderado pela recém-criada Associação Médica do Distrito Federal.
• A eleição, no Sindicato, do Movimento Médico Independente Renovador, presidido pelo Dr. Miguel Olímpio, que enfatizava a defesa dos médicos assalariados e da saúde pública, em 1968, ano marcante no que se refere à luta mundial por maiores liberdades.
• A cassação de Miguel Olímpio e a intervenção no Sindicato, em 1971.
• O surgimento do Movimento de Renovação Médica, que defendeu também as liberdades democráticas, vence a eleição no Sindicato tendo como presidente o Dr. Rodolfo Rocco, em 1978.
• E a deflagração da maior greve médica do Brasil, sob o comando de Roberto Chabo, presidente do SinMed, em 1981. A sua prisão pelo Regime Militar e a libertação graças à pressão do movimento.

A partir dos Anos 90, sob a presidência de vários colegas, a situação no país foi agravada, com graves repercussões na área da saúde. Vivemos a era do neoliberalismo, já presente em outros países, e que impôs à nossa população grandes perdas, como a cassação de importantes direitos adquiridos, entre eles a saúde como direito do cidadão e dever do Estado. As políticas econômicas, seguindo diretrizes internacionais, com a obrigação de manter o superávit primário reduzem as responsabilidades do Estado com a população, principalmente no campo social.

Os últimos anos foram marcados pelo avanço da ciência e da tecnologia, mas ainda assim, nós, médicos, não dispomos dos instrumentos necessários para atender de forma adequada aos nossos pacientes e assim cumprir o nosso Código de Ética, de 1988.

Problemas como a mercantilização do ensino médico, a degradação da assistência e a precarização do trabalho médico, exigiram uma resposta enérgica do Sindicato que, em conjunto com outras entidades, realizou diversas greves e atos públicos - com mais perdas do que ganhos – até que chegamos a Era Lula.

Lamentavelmente, o primeiro governo Lula deixou a desejar e as reformas que almejamos ainda não aconteceram. O genocídio no Rio de Janeiro continua. O ministro da Saúde assumiu a epidemia de dengue que assola o país, demonstrando claramente a insuficiência da ação do poder público. A regulamentação da Emenda Constitucional 29, que estabelece os critérios do financiamento da saúde pública até hoje não foi regulamentada pelo Congresso Nacional.

Merece destaque que em meio à adversidade vivida, os servidores públicos ainda têm sido alvo daqueles que tentam responsabilizá-los pela ineficácia da administração pública. As políticas de recursos humanos ainda têm privilegiado a instabilidade funcional tanto do ponto de vista do aviltamento salarial quanto do trabalho insatisfatório e adoecedor. Só nos consideram essenciais quando é para regulamentar o direito de greve. No dia-a-dia, o tratamento tem sido o mesmo que é dispensado à população. Esperávamos um tratamento mais respeitoso e o reconhecimento de uma carreira de estado, afinal, somos essenciais.

As respostas têm sido discriminatórias e buscam cassar a nossa estabilidade através das chamadas fundações públicas de direito privado. Vale destacar que a juíza Salete Maccalóz chamou esse projeto de “excrescência jurídica”. Esta casa tem a obrigação de rejeitar tal proposta e buscar o caminho da legalidade para solucionar a crise dos recursos humanos.

Felizmente, diante das reações populares que repercutem no Senado Federal e no Supremo Tribunal Federal, esse quadro já começa a mudar. O afastamento do presidente do Senado e o indiciamento de políticos, empresários e banqueiros que se locupletaram do dinheiro público em benefício pessoal são mudanças que renovam as nossas esperanças.

Segundo palavras do Frei Betto, “somos a única nação do planeta que merece um nome ecológico, um nome de árvore: Brasil ... convivemos neste país com um trágico fato: a principal espécie em extinção são os homens e mulheres...”

Sabemos que as verdadeiras razões dessa crise não serão superadas somente pelos médicos brasileiros, mas sim com a participação de toda a população. Algumas dessas “doenças” serão tratadas com remédios ou prevenção, outras, curadas através da nossa luta e do direito ao voto nas urnas.

Por sinal, não podemos esquecer que esse é um ano de eleições, portanto, um momento de importância e de mudanças.

Mais uma vez sem medo de ser feliz!

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Fotos de Samuel Tosta (direitos reservados)


 

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